Visitando o maravilhoso castelo Neuschwanstein ao sul da Alemanha

15 de agosto de 2017   |   Alemanha, Europa, Füssen

Neuschwanstein, o castelo de contos de fadas.

Um passeio imperdível para quem vai visitar Munique, ao sul da Alemanha, é conhecer o famoso, lindo e suntuoso castelo que serviu de inspiração para que Walt Disney criasse seu próprio castelo da Cinderela: O castelo Neuschwanstein – Schloss Neuschwanstein em alemão -, localizado nos Alpes bávaros, na fofa e pacata cidade de Füssen. Além de paisagens e lugares que mais parecem saídos de um livro de contos de fadas, o visitante fica conhecendo toda a interessante história do Rei Luís II – Ludwig II em alemão – pitoresco rei da Baviera. Fazem parte do roteiro, ainda, o castelo Linderhof – Schloss Linderhof –, que é outro castelo do Rei Ludwig II, menos suntuoso, mas também muito bonito, e a cidadezinha de Oberammergau, pequena e também parecida como saída de um conto de fadas.

A empresa pela qual fizemos este passeio é a GrayLine Sight Seeing e tem saídas diárias. O passeio dura um dia inteiro, saindo de Munique pela manhã, retornando no começo da noite. O ônibus da empresa fica esperando os passageiros em frente à estação central de Munique. Aconselho chegar cedo para pegar um lugar no ônibus com vista boa. Como ele possui dois andares, escolhemos nos sentar no andar de cima, na segunda fileira, pois assim pudemos acompanhar as vistas da estrada e do caminho, que são belíssimas. Vale dizer que o ônibus é muito confortável. O passeio é todo acompanhado por um guia que fala inglês e, através do microfone, conta, ao longo do caminho, as histórias envolvendo o Rei Ludwig II e toda a sua excentricidade. Sua ousadia fez com que mandasse construir três dos mais belos castelos da Alemanha e do mundo. Ele somente chegou a morar no Castelo Linderhof, que foi o único concluído com o Rei Ludwig II ainda em vida, e também por pouquíssimos dias no Neuschwanstein, que, juntamente com o Castelo Royal de Herrenchiemsee, não fora concluído antes de sua morte, em 1886. Porém, ainda assim, todos os três foram um marco no turismo da Alemanha, uma vez que atraem, anualmente, pessoas do mundo inteiro. Este passeio inclui dois dos três castelos, o Neuschwanstein e o Linderhof. Há uma opção de passeio separado para o terceiro castelo do Ludwig II, o Castelo Royal de Herrenchiemsee, que foi inspirado no Palácio de Versailles, na França. Acesse o passeio aqui.

Ônibus da empresa que faz o passeio aos castelos do Rei Ludwig II.

O ônibus segue por uma das Autobahns, que são as famosas estradas alemãs sem limite de velocidade, e que possuem como moldura os Alpes. A vista é realmente de encher os olhos. Pelo caminho, o guia fala sempre quando alguma localidade tem relação com a história do Rei Ludwig II, como por exemplo, o lago onde ele foi encontrado morto por afogamento. Algumas outras curiosidades ao longo do caminho também são sinalizadas por ele.

Viajando pelas Autobahns.

Viajando pelas Autobahns com os Alpes nevados ao fundo.

Autobahn com os Alpes nevados ao fundo.

Após estradas estreitas, vistas de pequenas cidades e muitas subidas, chegamos à primeira parada do passeio: o Castelo Linderhof. Fazendo parte do caminho a pé até ele, o visitante pode notar o bom gosto do pitoresco Rei Ludwig II ao escolher um local com belíssimas paisagens para construir seu castelo. Os lagos e vegetações parecem pinturas e o castelo complementa o que parece ser um quadro, tamanha a perfeição do lugar. O Linderhof é bem menor do que o Neuschwanstein, não tem aquele formato típico de castelo encantado, mas também é bonito e foi construído com luxo e requinte. O jardim e fontes projetados que o cercam, além dos móveis, pinturas e ouro que compõem seu interior estão lá para provar que o Rei Ludwig II valorizava um estilo de vida nada modesto. Na visita guiada ao seu interior é possível admirar tudo isso de perto, e ver a vista magnífica das janelas de cada cômodo. A vontade é de realmente não ir embora e viver por ali com as mesmas regalias de seu antigo dono. Não seria nada mal.

Uma das pequenas e charmosas cidades que estão no caminho para o Castelo Linderhof.

Vista de uma das pequenas cidades do caminho quando o ônibus começa as subidas rumo ao Castelo Linderhof. O dia estava bonito, mas havia nevado durante a madrugada.

Uma das pequenas e charmosas cidades que estão no caminho para o Castelo Linderhof.

O ônibus pega algumas subidas até chegar ao Linderhof.

Estrada nevada rumo ao Castelo Linderhof.

Estrada nevada rumo ao Castelo Linderhof.

A foto não ficou muito boa por causa do ônibus em movimento, mas já dá para se ter uma noção das belezas presentes nos caminhos do passeio.

Já no caminho a pé para o Castelo Linderhof.

Já no caminho a pé para o Castelo Linderhof.

Lago congelado no caminho a pé para o Castelo Linderhof.

Caminho a pé para o Castelo Linderhof.

Lindo caminho a pé para o Castelo Linderhof.

Lindo o visual no caminho a pé para o Castelo Linderhof.

Frente do Castelo Linderhof. Não são permitidas fotografias em seu interior.

Jardim do Castelo Linderhof. No verão as fontes ficam ligadas e a grama verde.

Paisagem nos arredores do Castelo Linderhof. Não parece uma pintura?

Restaurante no caminho para o Castelo Linderhof.

De volta ao ônibus, seguimos para a próxima parada, a pequena e charmosa cidade de Oberammergau. Além das casas no clássico estilo gótico alemão, todas muito bem cuidadas e pintadas, sendo algumas com jardineiras e pinturas diferenciadas, as lojas são uma atração à parte. Isso porque é impressionante a quantidade de relógios “Cuco” que são vendidos no local. Com variados tamanhos, cores e temas, os “Cucos” revestem paredes inteiras das lojas e fazem muito barulho. É simplesmente encantador observar toda aquela variedade. Os preços são um pouco salgados e transportá-los na volta ao Brasil pode ser trabalhoso, mas visitar a cidade de Oberammergau e sair sem um relógio “Cuco” é de partir o coração. Após algum tempo na cidade, é chegada a hora de retornar ao ônibus para a última e mais esperada parada do passeio: o Castelo Neuschwanstein.

Chegada à cidade de Oberammergau.

A fofa Oberammergau.

Café em Oberammergau.

Oberammergau e suas lindas casinhas.

Relógio Cuco na fachada de uma das lojas de Oberammergau.

A estrada que leva ao Neuschwanstein é tão bonita quanto todas as outras do passeio. Distraídos com tanta beleza, os turistas mal percebem quando o ônibus vira em uma esquina onde fica uma linda igrejinha e já se encontra de frente para as montanhas onde está o castelo que mais parece saído de um conto de fadas. É uma emoção vê-lo, mesmo que ainda tão pequeno quando comparado a todo o cenário onde ele fica. O ônibus para em frente a uma loja onde são vendidos os ingressos para visitá-lo por dentro, e aí então todos da excursão são liberados para almoçar. O castelo dali já fica bem mais visível e, quando achamos que ele é a única atração do local, avistamos à direita o Castelo Hohenschwangau, que é onde o Rei Ludwig II passou sua infância com seus pais e seu irmão. Desde pequeno, Ludwig II possuía um gosto excêntrico e uma personalidade incomum. Do castelo onde vivia com seus pais, admirava a vista e já planejava construir sua própria moradia ali mesmo, e foi o que fez. De Hohenschwangau acompanhou a construção do Neuschwanstein incrustado na montanha. Não poupou gastos e nem mediu seus luxos. Baseou muitos dos cômodos e estruturas nas obras do maestro e compositor Richard Wagner, nos cenários de suas peças que tanto amava e por quem nutria uma enorme admiração. Já era tradição em sua família o amor também pelos cisnes. Vários cômodos e adornos de seus castelos eram baseados nessas aves, que ele achava tão bonitos e elegantes.  O nome do castelo em alemão, inclusive, significa Nova Pedra do Cisne. Uma curiosidade é que diz uma lenda que a peça O Cisne Negro foi feita em homenagem ao Rei Ludwig II. Vale a pena conhecer a história por trás desse castelo maravilhoso e do Rei que teve a ousadia de dar-lhe forma.

Estrada já se aproximando do Castelo Neuschwanstein.

Vilarejo onde estão os castelos Hohenschwangau e Neuschwanstein.

Nosso ônibus à direita, o local onde vende a entrada do Neuschwanstein à esquerda e, entre eles, ao fundo, o Castelo Neuschwanstein no alto da montanha.

O lindo Castelo Hohenschwangau dos pais do Rei Ludwig II, onde ele passou sua infância.

O belo Castelo Hohenschwangau.

O Castelo Neuschwanstein no alto da montanha. Na época em que o visitamos, sua parte de trás estava em obras, porém isso não atrapalhou em nada a visita.

Há mais de uma opção para almoço nas proximidades do castelo. Escolhemos almoçar no restaurante do hotel Lisl Jägerhaus. O lugar é bonito e aconchegante e a comida é boa, assim como os preços. Recomendamos. Logo após o almoço, começamos a nos programar para a subida ao Neuschwanstein, que é um pouco longa. Há que se ficar atento ao horário de entrada no castelo. As visitas são feitas em grupos, e os horários são pré-reservados. Há três opções de subida: a pé, de charrete ou de ônibus. Optamos por subir a pé, já que gostamos de andar e também porque queríamos parar ao longo do caminho para tirarmos fotos e apreciarmos a vista. À medida que vamos subindo, as paisagens para Schwangau, que é o nome da região de ambos os castelos, vão ficando de tirar o fôlego. Ao longo da subida também começamos a ver o castelo cada vez mais de perto, e o fim do caminho leva à base dele. É impressionante chegar, olhar para cima e se dar conta realmente de como ele é grande e cheio de detalhes. Para onde quer que se olhe há um belo visual, seja das montanhas, seja dos lagos que ficam próximos à região do castelo, seja do castelo de seu pai, que a essa altura fica bem pequeno no meio de toda a paisagem. Em um relógio grande é anunciado o horário das próximas visitas. Em pequenos grupos, um guia acompanha os visitantes ao longo do castelo, visitando salões de festas que nunca foram utilizados, escadarias intermináveis, janelas com vistas exuberantes, o quarto do próprio Rei Ludwig II, que possui uma cama grande, cadeira apropriada para suas leituras e obras com formatos de cisnes. As pinturas, os móveis, os cômodos, tudo é muito luxuosos e de muito bom gosto. Ao final do passeio, os visitantes são levados à lojinha do castelo com inúmeros souvenires do Neuschwanstein e do Rei Ludwig II. Uma observação importante é que não são permitidas fotografias no interior do castelo.

Cardápio do restaurante do Hotel Lisl Jägerhaus, onde optamos por almoçar.

Hotel Lisl Jägerhaus onde almoçamos.

Ao lado do hotel Lisl Jägerhaus onde almoçamos com o Castelo Neuschwanstein ao fundo, no alto da montanha.

Subida para o Castelo Neuschwanstein.

Visual para as montanhas, já próximo ao Castelo Neuschwanstein, e uma parte de uma de suas torres.

Vista já da entrada do Castelo Neuschwanstein. É de tirar o fôlego.

Vista de quando nos aproximamos do Castelo Neuschwanstein.

Entrada do Castelo Neuschwanstein.

Já no interior dos portões do Castelo Neuschwanstein, em seu pátio interno, com os grupos de visitantes já se reunindo para iniciar a visita guiada em seu interior.

Relógio no pátio interno do Castelo Neuschwanstein.

A bela vista para Schwangau dos arredores do Castelo Neuschwanstein. Dá para ver, ao longe, o Castelo Hohenschwangau, onde viviam o Rei Ludwig II com seus pais e irmão.

Assim que saímos, resolvemos ir até a ponte Marienbrücke (Ponte de Maria), que é uma ponte fina e comprida localizada entre as montanhas, que dá uma vista para o castelo de tirar o fôlego. É de lá que saem as fotos do castelo dignas de capas de revistas, pois é de lá que conseguimos vê-lo por inteiro, cravado nas montanhas. É imperdível. Foi a mãe do Rei Ludwig II quem mandou construir essa ponte antes mesmo de existir o Neuschwanstein. Ela caminhava muito por aquela região e acabou por construí-la naquele ponto, para interligar as duas montanhas. O Rei Ludwig II, então, mandou construir seu castelo naquele ponto, para que tivesse vista da ponte de sua mãe. Recomendo separarem um tempo razoável para visitá-la, uma vez que é um pouco longo o caminho que leva até ela, além de ser oposto ao caminho que leva de volta ao ônibus.

Caminho que leva à Marienbrücke, de onde se tem uma linda e privilegiada vista do Castelo Neuschwanstein.

Do Castelo dá para ver a Marienbrücke, ponte que a mãe do Rei Ludwig II mandou construir onde ela costumava passear.

Vista da Marienbrücke para o Castelo Neuschwanstein. A vista mais bonita de todas.

Marienbrücke. Fina, altíssima e com um visual maravilhoso.

A bela vista da Marienbrücke.

Algo que sempre recomendo nos meus textos é que os visitantes observem os detalhes. Muitas vezes nos preocupamos com a melhor foto e o melhor ângulo, e acabamos nos esquecendo de aproveitar o local ao vivo e a cores. Essa região de Schwangau e todos os outros lugares do passeio possuem muitos detalhes, e a beleza também está neles. Sugiro separarem um tempo para fotos e filmagens, mas um tempo ainda maior para apreciarem os detalhes, repararem neles com calma, imaginando a vida que o Rei Ludwig II levava naquela região desde criança. Dizem que Ludwig II não queria saber de governar a Baviera. Ele queria mesmo era ficar vagando pela mata próxima aos castelos. Muitas vezes era encontrado cercado por animais admirando a paisagem. É legal, portanto, passear imaginando ele andando por ali e tentar sentir um pouco da liberdade que ele devia sentir naquele cenário maravilhoso.

É chegado o fim do passeio. O ônibus tem horário marcado para partir de volta à Munique quando todos devem retornar ao local combinado. Recomendo avaliarem bem o horário de retorno, pois tivemos que descer a montanha correndo por não termos calculado o tempo corretamente. Fomos os últimos a retornarem ao ônibus. É melhor descerem com antecedência e com calma, por mais que dê vontade de ficar ali para sempre!

Caminho de volta ao ônibus.

Já de volta a Munique, o ônibus deixa os passageiros no mesmo local em que os pegou, em frente à estação central de trem de Munique. Fica o registro na memória e nas fotos de um dia muito especial na mágica região da Baviera.

Legenda: Visita inesquecível!

Fotos: Tiago Morais (Twitter/Instagram/Flickr)

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Por
Roberta von Zastrow
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